Terceira Carta Aberta


“ Amarás teu Deus  de todo o teu coração, de toda tua alma e de toda a tua mente... Amarás teu próximo como a  ti mesmo”

(Mt 22, 37-39)

 

Embalados pelas reflexões da Campanha da Fraternidade 2007 e pela visita do Santo Papa ao nosso País, o Conselho de Cidadania da Paróquia Santa Rita de Cássia lança a sua 3ª Carta. Aproveitando o momento de intenso aprofundamento sobre as Leis de Deus realizado na nossa festa paroquial  da padroeira Santa Rita de Cássia viemos  trazer à sociedade regional alguns questionamentos, posicionamentos e até mesmas sugestões.

 

Continua repercutindo em nossos ouvidos e mentes o tema da Campanha da Fraternidade de 2004, sobre a água, bem como a deste ano que nos convida a tomarmos posição em defesa ao nosso meio ambiente. Em primeiro lugar a água se apresenta como um dom da natureza que precisa ser respeitado. Mas este respeito requer de nossa parte uma atitude positiva, de cuidado e de ação. Por ser indispensável à Vida, a água aparece como um direito de todos os viventes. Daí se chega ao conceito de destinação pública dos bens fundamentais da natureza. A dimensão “pública”, tão importante para balizar critérios de atuação política, emerge da consideração responsável dos bens da natureza. Esta dimensão coloca com força a reivindicação que as últimas Campanhas da Fraternidade vêm nos fazendo, urgindo que a “água não pode ser privatizada” O caráter público da água nos leva diretamente a constatação dos deveres do Estado. O poder público não pode nunca se eximir de suas responsabilidades com a água. Ele precisa garantir sua preservação para disponibilizá-la, em primeiro lugar, para as necessidades vitais da população. E por último, o fato do Estado ter obrigações evidentes com a água, não dispensa a cidadania de assumir com força esta causa. Pois é a cidadania que tem a incumbência de urgir que o Estado cumpra suas finalidades constitucionais. Por todos estes motivos parabenizamos e nos juntamos a todos aqueles (pessoas, movimentos) que vem em nossa cidade lutando para que “a nossa água não seja privatizada” “não seja vendida”, ao mesmo tempo em que conclamamos a todos a se somar nesta luta por este direito inalienável dos cidadãos.

 

Ainda no âmbito das reflexões da CF 2007, não podemos aceitar o progresso como justificativa para o desmatamento, a modernização da região, da cidade ás custas do sacrifico da natureza, a degradação ambiental. Não podemos aceitar a derrubada da Mata Atlântica, com sua rica biodiversidade, a dizimação da fauna e da flora para dar lugar ao “Deserto verde” dos Eucaliptos que absorve toda água existente no solo, agredindo e expulsando as populações tradicionais de suas terras, trazendo-as para as periferias das cidades, criando enormes “bolsões de pobreza”. Somamos-nos também a todos aqueles que defendem e lutam por um desenvolvimento sustentável e respeitoso ao Meio ambiente e que valorizam o Ser Humano.  

 

Lembramos que as reivindicações feitas nas cartas anteriores continuam valendo, muitas delas, a sua resolução se faz urgente. Entre elas a situação da violência crescente em nossa cidade. E o total descaso com a saúde da população.

 

Aproveitando as reflexões sobre os Dez Mandamentos, tema que nos convidou a tomadas de posições profundas. Vimos que no primeiro testamento bíblico o conceito de justiça se traduz e se resume no amparo que a pessoa ou a sociedade deve ter para com o estrangeiro, a viúva e o órfão; No segundo testamento Jesus amplia essa pratica falando não somente de amparo, mas de compromisso e não só para com o estrangeiro, a viúva e o órfão, mas para com as crianças, os perseguidos, os pecadores, os oprimidos, etc. Queremos o ser humano incluindo, tendo acesso a todos os direitos que dignificam, tendo oportunidade de manifestar seu potencial de vida, pois para isso foram criados.

 

Não basta apenas ter clareza do que precisa ser mudado, mas é preciso sensibilizar e mobilizar a sociedade em direção a esse mundo melhor, por isto o Conselho de Cidadania, continua a sua importante tarefa de sensibilizar, mobilizar e motivar, em especial os paroquianos, bem como convidando toda a sociedade regional a se posicionar em favor da VIDA e contra os projetos de Morte hoje em voga em nosso meio e assumirmos de forma radical o nosso papel de “Valentes Missionários e Discípulos de Jesus” como convocou o Papa Bento XVI na missa de abertura da V Conferencia Episcopal da América Latina e do Caribe e concretizarmos as palavras do Mestre: “Eu vim para que TODOS tenham VIDA e a tenham em abundancia” (Jo 10,10)

 

Queremos mais uma vez reiterar, bem como nas cartas passadas, que a nossa intenção não é apenas cobrar, reivindicar. Mas, ao mesmo tempo em que fazemos estas reflexões, temos a plena consciência da necessidade de uma participação mais ativa e consciente da sociedade neste processo de transformação. Temos a plena consciência que estamos fazendo a nossa parte enquanto espaço de construção da cidadania e nos colocamos a disposição para colaborar naquilo que nos couber.

 

Conselho de Cidadania Paroquial, Grupos, Movimentos, Pastorais, Associações, Comunidades e Frades Capuchinhos da Paróquia Santa Rita de Cássia.